O Burnout foi reconhecido como um risco ocupacional para as profissões que envolvem cuidados como saúde, educação e serviços de carácter social (Golembiewski, 1999; Maslach, 1998; Murofuse et al., 2005).

O Burnout está associado a vários tipos de disfunções, tais como o aparecimento de problemas psicológicos e físicos graves tais como a exaustão mental e emocional, fadiga, depressão, entre outros, podendo mesmo conduzir a uma incapacidade total para desempenhar funções (Maslach & Schaufeli, 1993).

Segundo Maslach, Schaufeli & Leiter (2001), o que emerge em grande parte da investigação é o conceito de Burnout como um fenómeno psicossocial que surge como uma resposta crónica aos factores de stress interpessoais ocorridos em contextos de trabalho.

Ainda para Maslach & Leiter (1997), o Burnout não é apenas um problema individual, mas antes associado ao ambiente social e laboral em que está inserido. O Burnout é visto também como uma reacção à tensão emocional crónica ao lidar constantemente com pessoas. É um constructo formado por três dimensões relacionadas, mas independentes, definidas por exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho.

Maslach, Schaufeli e Leiter (2001), definem estas três dimensões relacionadas com Burnout: por exaustão emocional entende-se a falta de entusiasmo, sentimentos de esgotamento, frustração e tensão, ou a percepção de que não se consegue disponibilizar energia para realizar o seu trabalho. (Benevides-Pereira, 2002; Maslach & Leiter, 1997; Maslach & Goldberg, 1998). A despersonalização provoca a sensação de alienação em relação aos outros. Passa a interagir com os públicos-alvo, colegas e a organização de forma distante e impessoal e pode desenvolver insensibilidade emocional face às situações vivenciadas (World Health Organization, 1998; Maslach & Leiter, 1997; Maslach & Goldberg, 1998).

Já a baixa realização pessoal no trabalho pode ser descrita como uma sensação de que muito pouco tem sido alcançado e o que é realizado não é valorizado. Também a tendência para se auto-avaliar de forma negativa, a insatisfação com o seu desenvolvimento profissional ou o declínio no sentimento de competência e êxito são aqui questões fundamentais (Cherniss, 1980a; World Health Organization, 1998).

Maslach, Schaufeli e Leiter (2001) referem que, nas várias definições do Burnout, embora com algumas questões divergentes, encontram no mínimo cinco elementos comuns: a) a predominância de sintomas relacionados com a exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; b) a ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas físicos; c) os sintomas do Burnout estão relacionados com situações laborais; d) os sintomas manifestam-se em pessoas que não sofriam de distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome; e) a diminuição da permanência e desempenho no trabalho ocorre por causa de atitudes e comportamentos negativos.

A síndrome de Burnout tem sido considerada um problema social de grande importância, cuja investigação tem sido realizada em diversos países, dado que se encontra vinculada a grandes custos organizacionais que se devem ao absentismo, problemas de produtividade e qualidade, associando-se também a vários tipos de disfunções, tais como o aparecimento de problemas psicológicos e físicos graves, podendo mesmo conduzir a uma incapacidade total para desempenhar as suas funções (World Health Organization, 1998). 

Por outro lado, os níveis internos de motivação estão associados ao desempenho profissional, à criatividade e à felicidade. (Amabile, T. 1996, 2011). Segundo Gil-Monte (2003), as estratégias de prevenção e tratamento do Burnout podem ser realizadas em programas de grupo.

Durante o último ano realizou-se na Fundação CEBI, tanto em Alverca como na Ericeira, um programa designado “A Persona e o Sorriso - Programa de Prevenção de Burnout”, como resposta às preocupações sentidas. Foram concebidos e realizados cinco conjuntos de sessões de prevenção, com recurso às metodologias de Dinâmica de Grupos, Psicodramáticas, do Treino de Aptidões Sociais entre outras técnicas criativas e lúdicas, focados na relação que existe entre a felicidade, o bem-estar, a produtividade e o nosso melhor desempenho profissional. Novos programas se avizinham.


TEXTO | Nuno Rocha, Mafalda Tomás e Adriana Pereira, Psicólogos do DISC – Departamento de Intervenção Social e Comunitária
[ Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico ]

 



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